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Mostrando postagens de Outubro, 2017

Formas de tomada de decisão na comunidade por Lena Ferreira

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No Curso Educação Gaia, Design em Sustentabilidade, que aborda boas práticas de ecovilas do mundo inteiro, costuma-se dizer que a primeira coisa que a comunidade tem que decidir é qual será sua forma de tomada de decisão.
Nas décadas de 1990 e 2000, as ecovilas empenharam grande quantidade de energia buscando elaborar a forma mais perfeita de tomada de decisão. O consenso era a mais almejada e em algumas decisões parecia mesmo imprescindível: “A alimentação nesta comunidade será vegetariana”, “para vir morar na comunidade tem que ser aprovado por unanimidade”. Havia a ideia de que numa comunidade ideal todas decisões deveriam ser tomadas por consenso. Mas logo se percebeu que levava um enorme tempo tentar chegar a uma resposta satisfatória que contemplasse a todos; e às vezes não se chegava. E assim foram-se adotando conceitos correlatos para facilitar o processo (como consenso menos um) e comportamentos para regulá-los (só se pode bloquear uma ou duas vezes na vida). Consenso virou …

Acordos de convivência por Lena Ferreira

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Os acordos são ferramentas imprescindíveis para uma boa convivência na comunidade. Vale lembrar que acordos são muito diferentes de regras ou de leis frias, impostas de cima para baixo. Pelo contrário, a etimologia da palavra acordo já nos mostra que ele tem dentro de si um coração (cor, cordis). São definidos pelos os interessados após cuidadosa exposição de motivos e muito diálogo para que fiquem com a cara de todos. Na prática pode funcionar assim: eu listo tudo o que desejo e preciso para o meu coração ficar tranquilo e assim viver bem na comunidade, tanto as coisas positivas quanto as negativas; todos  fazem o mesmo; depois vamos dialogando até desenvolvermos uma profunda compreensão e empatia com as necessidades e desejos uns dos outros até chegarmos a uma frase consentida por todos para cada tema abordado. Eu preciso de que todos façam o acordo não utilizar agrotóxicos nos plantios e jardins para não contaminar as águas e o lençol freático de nossa propriedade? Eu desejo muito…

As fases de desenvolvimento da comunidade por Lena Ferreira

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No texto anterior, “Gestação e formação energética da comunidade”, abordamos a geração e a manifestação da comunidade em sua criação. Aqui, veremos como é o processo de desenvolvimento de suas fases, novamente inspirados na Pedagogia Social. Por isso é importante ler o texto anterior antes deste. A fase inicial ou pioneira representa a infância e a adolescência da comunidade. A seguinte, a fase estruturante, representa a vida adulta e pode ser dividida em três subfases: exploração, adaptação e encontro. Por fim, chega-se à fase integrada, que indica que a comunidade chegou à sua maturidade. Cada uma das fases tem suas fantasias, suas crises e suas acomodações, mas seguindo novamente a analogia com o Ser Humano, o crescimento não volta para trás, e o aprendizado é para toda a vida.
Na fase inicial ou pioneira, o corpo ou os corpos da comunidade ainda estão se formando, e as pessoas estão se conhecendo. Cada um chega com o seu próprio mundo de ideias, sentimentos, hábitos, necessidades…